DE NOVO, TUDO NOVO!
Ano novo, e de novo tudo novo. Acho interessante o clima que 31 de Dezembro traz para nos seres humanos. Vai se aproximando dessa data e na mesma proporção a esperança de algo novo renova-se também. Porém na realidade, o que temos é mais do mesmo, até as músicas dos comerciais são as mesmas. Desde de que me entendo por gente, hoje é um novo dia de um novo tempo que começo nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer. E tem também as promessas, que só para consta em ata, são os mais clichês e nem um pouco inovadoras. O gordinho vai emagrecer, a mulher que sai com todos os homens irá dar-se mais valor, o gastador irá poupar dinheiro, e o “mão-de-vaca” abrirá um pouco as mãos, o pai ausente tornasse-a mais presente, e o filho rebelde nesse novo ano irá se portar como manda o figurino. Tudo isto pensamos, nas duas últimas semanas do ano, aquelas semanas que permitem-nos sairmos da rotina, do ritmo frenético de nossas vidas corridas de moradores de cidade grande, nos que parecemos sempre estar com o nosso pai com o pescoço na forca e já puxaram a alavanca que trava o alçapão.
No dia 30 tudo já começa a caminhar para o clima de reveion, os mais antecipados já preparam todo um roteiro, de como vai chegar, que horas vão sair e quem serão as companhias. Para nos moradores do Rio de Janeiro, a grande sensação é ir para Copacabana, que antes que falem: “Eu moro no Rio e não gosto do reveion em Copacabana”, também sou um destes, mas admito sem manter a pose e o orgulho, que mesmo não gostando já cogitei a ideia de ir passar a virada do ano lá. Porém ao montar o cenário em minha cabeça rapidamente lembro por que sou do Clube “Reveion em Copa não”. Bom, vamos ao cenário: começamos com um odisseia para chegar até Copacabana, principalmente os que não moram perto da Zona Sul, se pensar em ir de caro, terá de estacionar quase dois bairros distante, ai você resolver ir de vam mesmo, porém a primeira coisa que você vai encontra é um preço superfaturado na passagem, que particularmente eu concordo com o preço, mas muitas das pessoas que eu conheço não. Depois da odisseia para chegar, quando você finalmente chega se depara com aquele mar de gente, que já esta suada, pegajosa porque se arrumou para virada as cinco da manhã do dia 31 para chegar e pegar um bom lugar na areia, que por falar nisso é um outro incomodo também, pois este ser chamado areia tem a propriedade de alojar-se em lugares que quando você vai tirar você pensa “como é que foi parar areia ai”. Mas esta tudo certo afinal você já sabia que ira ter que passar por isso o negocio é curtir. Ai você lembra que ou você leva mantimentos (água, cerveja, e o que mais desejar) de casa, ou você guarda todo seu 13º para este fim, pois tudo vai esta muito mais caro que o normal, e olha que as coisas na Zona Sul já são caras. Mas é virada de ano para que vamos nos aborrecer se temos tudo novo pela frente.
Então, os ponteiros dos relógio vão aproximando-se da meia noite, e os mais apreçados já começam a fazer seus votos para parentes e amigos, começando com a frase mais clichê que eu já ouvi nesse época do ano: “Que o ano tal seja diferente”. Estar certo né?! O culpado por você ter um ano “igual” é a data, não é você que fez tudo da mesma forma igual você faz todo ano. É ai que eu grito: “Viva Freud que nos ensinou a terceirizar toda forma de culpa para não assumirmos a responsabilidade de nossos atos.” O próximo ano já vai ser diferente por si só, afinal ele é um algarismo a mais do que o anterior, para o ano realmente ser diferente nos que devemos tomar posturas diferente.
E ai começa a queima de fogos de artifícios, que só me faz lembrar de como os cães sofrem por isso, mas todo mundo acha lindo, dai par frente é só encher a cara e curtir os minutos de liberdade que a rotina permitiu. É como se a rotina fosse uma esposa, ou um esposo, possessivo que na virada do ano dá um dia de total liberdade e sem o peso da responsabilidade. O dia 1º de Janeiro praticamente não existe, pois é a cura da ressaca, seja ela moral ou física. E rapidamente chega dia 2, os mais desafortunados, começa já a trabalhar nesse dia, e liberdade condicional concedida pela rotina se expira e logo você volta para prisão, e as promessas e votos feitos a si?! Deixa que 31 de Dezembro elas voltam, da mesma forma e com o mesmo conteúdo. E de novo, você tem a ilusão de ser tudo novo.

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